“É nesse espaço de esforço próprio e concentração que o conhecimento se fixa e se transforma em aprendizado duradouro. Esse processo não prescinde da escola nem dos professores: são eles que orientam o estudo autônomo, indicam caminhos e lideram a recomposição da aprendizagem”.
Entre os muitos fatores que distinguem sistemas de ensino com alto desempenho, um se repete com frequência: a cultura de estudo individual. Em países como China e Coreia do Sul, que visitamos no no passado, é comum que os estudantes dediquem horas diárias a ler, escrever e resolver exercícios sozinhos.
A mesma prática aparece em lugares tão diversos quanto Estônia, Polônia e Singapura. Nações com históricos, culturas e estruturas distintas, mas que compartilham a compreensão essencial de que o aprendizado exige esforço pessoal e tempo dedicado fora da sala de aula. São realidades diferentes da nossa, sem dúvida, mas que inspiram práticas possíveis de adaptação ao contexto brasileiro.
Todo mundo se lembra, em sua trajetória escolar ou acadêmica, das horas reservadas ao estudo individual. Foram nesses momentos que conceitos antes confusos se tornaram claros, que fórmulas ganharam sentido e que, pela prática, o conteúdo se consolidou. É nesse espaço de esforço próprio e concentração que o conhecimento se fixa e se transforma em aprendizado duradouro. A ciência cognitiva apenas confirma o que a experiência pessoal já nos ensinou: aprender é difícil e exige dedicação individual. Relembrar, praticar, errar e tentar novamente são mecanismos fundamentais para a formação de memória de longo prazo.
A tecnologia se soma a esse esforço de criar cultura de estudo individual e recompor o aprendizado que não ocorreu. Permite personalizar trajetórias, acompanhar a dedicação e aproximar famílias. Apesar de existirem casos isolados de tentativa de burlar, a maioria está engajada: só neste semestre, 64,5% dos alunos do ensino fundamental e médio —cerca de 1,5 milhão de estudantes— realizaram regularmente tarefas de casa pela plataforma TarefaSP, com média de 15 exercícios por semana. Esse é um sinal claro de avanço na criação de uma cultura de estudo individualizado.
Também é essencial reconhecer que muitos jovens enfrentam obstáculos reais: pobreza, violência, falta de referências positivas. Não se pode culpar o aluno. O papel do Estado é remover barreiras, apoiar famílias e oferecer oportunidades para que cada estudante possa se dedicar com mais tranquilidade ao seu percurso escolar.
Se queremos que nossos jovens alcancem novos patamares, precisamos reafirmar o mantra que orienta a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo: altas expectativas para todos os estudantes. Isso significa acreditar no potencial de cada um, cobrar empenho e oferecer condições de apoio. Essa é a marca dos sistemas que prosperam. E é também o caminho para que os estudantes paulistas alcancem voos mais altos.


